
A moda da censura nos estádios pegou. Nesta quinta, no Canindé, Diogo Cisneiro, torcedor do Sport, teve seu cartaz com os dizeres “um apito não vai calar o Nordeste” confiscado pela PM. O protesto referia-se ao episódio nos Aflitos, quando o juiz exigiu que fosse retirada uma faixa de protesto contra a arbitragem no Brasileirão em partida do Náutico, semana passada. Por isso, o post com fotos das galeras no 5 a 1 da Lusa sobre o Leão vem depois.
Já com a peleja rolando, Cisneiro foi repreendido por policiais sob alegação de portar material inflamável (papel). Cedeu logo para voltar ao jogo (foto abaixo). Aproveitava a viagem a trabalho do Recife a SP, não queria perder tempo com bate-boca. De fato, a tal regra do papel existe. Não é permitido, por exemplo, ler um jornal no estádio. Mas, se a faixa passou pela revista, tendo a crer que o conteúdo da mesma, e não o material do que é feita, tenha motivado o veto. Fãs do Sport passaram por igual constrangimento alguns dias atrás no Pacaembu, no duelo ante o Corinthians, impedidos de entrar com bexigas infláveis e cartazes com saudações aos conterrâneos.

Nos dois casos, é clara a estratégia preventiva da polícia de tratar todos como potenciais vândalos. É mais fácil e barato do que educar e adotar meios inteligentes de restringir o acesso de quem, de fato, está disposto a atear fogo no estádio. O que, cabe um porém, não é missão policial.
Beber cerveja, bandeiras com mastro, guarda-chuva, fogos de artifício, bexigas, jornal, revistas. Tudo proibido. Até rádio de pilha é vetado em alguns estádios. Assim vamos, provavelmente até o ponto em que não poderemos xingar a mãe do juiz, do bandeirinha, tirar sarro da torcida adversária, peidar, usar roupa verde ou comer uma pipoca. O saquinho é inflamável.
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