Maracanã e os índios

Museu com o Maracanã ao fundo

A palavra Maracanã, apelido do principal estádio brasileiro, tem origem indígena. Em tupi, significa “semelhante a um chocalho”, devido ao gorjeio dos pássaros que viviam por ali. Se já não existem índios e tantas aves por lá, resta um símbolo. Mas talvez por pouco tempo.

O imóvel centenário do antigo Museu do Índio, ao lado do estádio, está ameaçado de demolição. Construído em 1862, abrigou o Serviço de Proteção ao Índio. Em 1953, Darcy Ribeiro fundou no local o Museu do Índio, que em 1978 foi transferido para Botafogo. O governo fluminense, dono do imóvel, entende que a edificação atrapalha a dispersão do público em dias de jogos. O  Mário Filho passa por obras para a Copa do Mundo de 2014.

Do outro lado está a Defensoria Pública. O órgão pede o tombamento histórico do imóvel. Obteve uma liminar impedindo a demolição. Em outra ação, reivindica usucapião do prédio e do terreno, ocupado desde 2006 por representantes dos fuli-ôs, kaingangs e guaranis, que instalaram no local a Aldeia Maracanã. Eles querem que a área vire polo da cultura indígena, de comércio de artesanato e de hospedagem para  índios que visitam o Rio.

O assunto voltou à tona porque a Justiça Federal decidiu periciar o local, segundo noticiou ontem a Agência Brasil. O objetivo é determinar se é recuperável e se sua permanência cria realmente um gargalo.

Ora, parece-me óbvio que o prédio não só deve ficar onde está, como servir aos apelos indígenas. O Crea já atestou que ele é recuperável. E, como alega a Defensoria Pública, se quando o Maracanã recebia 200 mil pessoas não atrapalhava a dispersão, porque atrapalharia agora, com capacidade de 80 mil?

Digo mais. Mesmo que atrapalhasse deveria ficar. Não justifica derrubar parte da história por conta de um evento de um mês de duração ou por meia dúzia de jogos ao ano, quando muito, que atraem mais de 40 mil pessoas ao Maracanã. Será esse o legado da Copa? Se for, já considero um fracasso.

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Maracanã e Fonte Nova chegam a 70%

Maracanã: 70% pronto

Os índices de execução de obra do Maracanã e da Fonte Nova atingiram os 70%, de acordo com relatórios divulgados nesta terça-feira (9) pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) e pelo Ministério do Esporte, respectivamente. Também foram divulgadas novas fotos.

No campo do Rio, palco da final da Copa do Mundo e da Copa das Confederações, os trabalhos estão concentrados no acabamento (como banheiros) e na instalação da cobertura. Até novembro próximo todos os aneis de tração e cabos de aço devem estar montados na estrutura metálica do estádio, segundo estimativa da Emop. Orçado em cerca de R$ 860 milhões, o Maracanã terá capacidade para 76 mil lugares. Nele serão disputadas três partidas da Copa das Confederações e outras sete na Copa do Mundo.

A Fonte Nova, em Salvador, alcançou 74% da conclusão. Também sede da Copa das Confederações em 2013, tem a quarta obra mais avançada entre as 12 sedes do Mundial, atrás de Castelão (89%), Mineirão (78%) e Mané Garrincha (76%). O Big Lift (clique aqui para entender o procedimento que vai erguer a cobertura) continua avançando e agora o içamento dos cabos de aço tensionados chegou a 70%, informa o governo federal.

A um custo de R$ 591,7 milhões, a Fonte Nova terá capacidade para 50 mil espectadores. Na Copa das Confederações receberá três jogos – sendo um do Brasil na primeira fase e a disputa de terceiro lugar. No Mundial, serão seis.

Obra da Fonte Nova chega a 74%

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Gravuras

Estádios (Pacaembu, Morumbi, Palestra Itália, Maracanã e Vila Belmiro), por Paulo Consentino.

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