É tradição de algumas torcidas ter times fora do país. Por questões de logística, explica um leitor deste espaço. Nas viagens, os torcedores têm onde ficar. No Chile, por exemplo, os gremistas são Universidad de Chile. Tanto que ontem quatro deles estavam na galera da La U, no Pacaembu. Com camisa do clube chileno, segurando bandeira, cantando as músicas e tudo mais.
O apoio aos hermanos pode ser encarado também como um aquecimento para os próximos duelos contra o São Paulo, adversário do Grêmio domingo pelo Brasileiro e provável rival na semifinal da Sul-Americana. Terão outras duas chances de tentar a sorte contra os paulistas. Ontem não deu muito certo…
Frio, chuva e Neymar perdendo pênalti. Parecia repeteco da primeira decisão da Recopa, em Santiago. Nesta quarta, porém, a atuação do craque santista não chamou a atenção apenas por um escorregão. Com o golaço no primeiro tempo, ele decidiu outra vez. Até aí, rotina. Por isso, como no Chile, suas escorregadas é que surpreendem.
O astro santista entrou em campo com a faixa de capitão. Na ausência de Edu Dracena, contundido, a braçadeira ficava com Léo, mais velho e vitorioso atleta do elenco. O lateral admitiu ter ficado chateado. Na coletiva de imprensa, Muricy Ramalho afirmou ter atendido a um pedido do próprio Neymar. Trocar o capitão numa final, se realmente atendeu apenas a pedido do atleta é, no mínimo, raro.
Outra atitude um tanto individualista do craque foi sua comemoração do título. Uma solitária volta olímpica (como se vê no vídeo abaixo), atraindo as câmeras somente para si. Depois recebeu o prêmio de melhor em campo, isso sim de mérito indiscutível.
E, para encerrar, graças à faixa de capitão, foi o primeiro a receber a taça de campeão no palco vermelho, cheio de logos do Santander, banco que patrocina a Recopa, o próprio Neymar, e que tem um membro no comitê de gestão do Santos. O que começou perecendo uma reprise do jogo de ida terminou mais para um comercial.
Dorval, astro do famoso ataque santista nos anos 60 (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe), enfrentou o frio para prestigiar o Santos no Pacaembu
1- O principal desfalque santista veio da arquibancada. Três ônibus da Torcida Jovem não conseguiram chegar ao estádio, em Santiago, por conta de uma volumosa (e incomum) chuva, que interditou a estrada entre a Argentina e o Chile. Tiveram de ver o jogo em Mendoza.
2- Os que conseguiram chegar foram impedidos pelos carabineros de estender a faixa da organizada, sob alegação de estar atrapalhando a visão. Não estava.
3- No estádio (belo e confortável, diga-se) não é permitido vender cerveja. Como no Brasil. O diferente é que, pelo menos no setor de visitante, também não vendem água, refrigerante ou qualquer outro líquido. Exceto café.
4- Ao final do jogo, os santistas ficaram retidos na arquibancada por uma meia hora enquanto os locais deixavam as imediações do estádio. Também como no Brasil. Durante a espera, porém, os banheiros foram trancados.
5 – A caminho da cancha, o trânsito estava caótico em Santiago. Lembrou o paulistano. Mas não, nesse caso nada tornou a situação chilena pior do que a nossa.
6 – Também circulam genéricos dos nossos flanelinhas pelo entorno do Estádio Nacional de Santiago. Mas é fácil evitá-los. Há vagas de estacionamento dentro do estádio pelo equivalente a 4 reais.
7 – E os problemas climáticos continuaram. Choveu durante quase toda a partida. Molhados, com 5 graus, não foi moleza.
Como se vê nas imagens acima, o desembarque do Santos em Santiago foi agitado. Na chegada, por volta das 22h30 (horário de Brasília) desta segunda, jogadores e o estafe santista ficaram um tanto surpresos com a quantidade de repórteres. Neymar era o alvo preferencial, como sempre. Mas ninguém conseguiu chegar perto do craque. Além dos habituais seguranças, ele foi escoltado por dois policiais e seguiu direto ao ônibus da delegação.
Alguns poucos torcedores da Universidad de Chile tentaram fazer uma pressão xingando o astro santista, mas a maioria estava atrás mesmo de uma foto. Cerca de cem pessoas esperavam a chegada do time. Passado o frenesi por Neymar, os jornalistas se voltaram ao argentino Miralles. Velho conhecido no Chile dos tempos de Everton (equipe de Viña de Mar) e do Colo-Colo, rival da La U, o atacante foi o único a conceder entrevistas.
Pela reação da imprensa, nota-se a maior importância dada no Chile à Recopa Sul-Americana. Na edição de ontem do jornal La Tercera, três páginas foram dedicadas ao duelo. Um dos textos destacava o fato de o Santos não ter poupado seus principais atletas na vitória de domingo contra o Corinthians. E a reportagem principal era sobre como marcar Neymar.
Um dos colunistas tratou a partida como a mais importante do ano para a La U. Um teste para medir se a equipe, após perder jogadores importantes, ainda está à altura da que conquistou a Copa Sul-Americana do ano passado. Pois o Santos, embora contextualizada a campanha ruim no Brasileirão, ainda é tratado como o bicho-papão do continente.
Quarenta mil pesos, ou 167 reais. É quanto a Universidad de Chile está cobrando pelo ingresso de visitante na primeira final da Recopa contra o Santos. Os times se enfrentam nesta quarta (22) no Estádio Nacional Julio Martínez Prádanos. O preço é abusivo, comparando-se aos 41 reais pagos pelos torcedores da La U (não-sócios) nas galerias sul e norte, o equivalente à geral deles. Também há bilhetes de 40 mil pesos para os chilenos, mas em lugares nobres. A ver como o Santos pretende retribuir a gentileza no duelo de volta.
Antes de levar seu campeão à Libertadores, a Copa Sul-Americana era desprezada pelos clubes brasileiros. Talvez por isso a Copa Suruga (pôster acima), duelo entre os vencedores do torneio sul-americano e da J-League (liga japonesa), seja desconhecida por aqui. A taça é disputada em jogo único, sempre na casa do campeão nipônico.
O Internacional ganhou a edição de 2009 (então os gaúchos devem conhecer). Neste ano, o confronto será entre Universidad de Chile e Kashima Antlers, ex-clube do Zico, no dia 1º de agosto. Nos dias 22 de agosto e 26 de setembro a La U entra em outra disputa parecida, a Recopa Sul-Americana (esta sim conhecida) contra o Santos, campeão da Libertadores em 2011.