Rainha da Fiel

Você lembra da primeira vez em que foi a um estádio de futebol? Mesmo querendo, a dona Valquíria de Jesus não esquece. Ela e toda a torcida do Corinthians. Debutou no dia 6 de junho de 2000. Lembrou? Semifinal da Libertadores, disputa de pênaltis, Marcelinho Carioca, Marcos… Então, justamente naquele dia fatídico da história alvinegra, fantasiada de mosqueteira, ela decidiu se tornar a mais fiel sofredora do Timão. Recém-separada do marido (que não gostava de futebol), casou-se com o Corinthians. No alto de seus 70 anos,  há 12 não perde uma partida em SP e hoje é conhecida como Rainha da Fiel. Abaixo, trechos do papo de ontem no Pacaembu,  antes de Corinthians x Flamengo.

1-) A senhora sempre vai aos jogos fantasiada?

Sempre. Na primeira vez eu fui de mosqueteira. Era bem espalhafatosa. Aí fui mudando o visual. Agora tá mais light.

2-) Quando foi?

Naquele jogo lá em que perdermos a Libertadores pro Palmeiras, quando o Marcelinho perdeu o pênalti. Começou no sofrimento, mas fazer o quê.

3-) Então a senhora tinha 58 anos. Por que não ia antes?

Vim de Aracaju há 39 anos, tinha de trabalhar muito pra cuidar da minha família. Depois que as minhas filhas casaram e que separei do meu ex-marido comecei a acompanhar. Ele não gostava de futebol, era meio esquisito. Agora tô aposentada, é mais tranquilo.

4-) Acompanha fora de São Paulo também?

Aí é mais difícil. Fui só no Serra Dourado (Goiânia), no último jogo do Ronaldo.

5-) Mas aqui não perde um… Mora longe do Pacaembu?

Venho de Ermelino Matarazzo (zona leste). Pego dois ônibus, dá uma horinha de viagem.

6-) Vai para o Japão?

Então, ainda não recebi nenhuma proposta. Tô esperando, se aparecer eu vou.

7-) A senhora tem contato com os jogadores?

Muito. Vou em quase todos os treinos, moro lá perto do CT (centro de treinamento), sempre fantasiada. O pessoal todo me conhece lá, me dão ingressos, camisas. No meu último aniversário ganhei uma do Tite. É super gente boa ele. Tenho do Ronaldo do Liedson, três do Júlio César. Mas acabo dando pros meus netos, que são  fanáticos.

No slideshow abaixo mais fotos de arquibancada de Corinthians 3 x 2 Flamengo, nesta quarta (11), no Pacaembu.

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Protesto inflamável

A moda da censura nos estádios pegou. Nesta quinta, no Canindé, Diogo Cisneiro, torcedor do Sport, teve seu cartaz com os dizeres “um apito não vai calar o Nordeste” confiscado pela PM. O protesto referia-se ao episódio nos Aflitos, quando o juiz exigiu que fosse retirada uma faixa de protesto contra a arbitragem no Brasileirão em partida do Náutico, semana passada. Por isso, o post com fotos das galeras no 5 a 1 da Lusa sobre o Leão vem depois.

Já com a peleja rolando, Cisneiro foi repreendido por policiais sob alegação de portar material inflamável (papel). Cedeu logo para voltar ao jogo (foto abaixo). Aproveitava a viagem a trabalho do Recife a SP, não queria perder tempo com bate-boca. De fato, a tal regra do papel existe. Não é permitido, por exemplo, ler um jornal no estádio. Mas, se a faixa passou pela revista, tendo a crer que o conteúdo da mesma, e não o material do que é feita, tenha motivado o veto. Fãs do Sport passaram por igual constrangimento alguns dias atrás no Pacaembu, no duelo ante o Corinthians, impedidos de entrar com bexigas infláveis e cartazes com saudações aos conterrâneos.

Nos dois casos, é clara a estratégia preventiva da polícia de tratar todos como potenciais vândalos. É mais fácil e barato do que educar e adotar meios inteligentes de restringir o acesso de quem, de fato, está disposto a atear fogo no estádio. O que, cabe um porém, não é missão policial.

Beber cerveja, bandeiras com mastro, guarda-chuva, fogos de artifício, bexigas, jornal, revistas. Tudo proibido. Até rádio de pilha é vetado em alguns estádios. Assim vamos, provavelmente até o ponto em que não poderemos xingar a mãe do juiz, do bandeirinha, tirar sarro da torcida adversária, peidar, usar roupa verde ou comer uma pipoca. O saquinho é inflamável.

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Do corredor à luz verdes

A festa preparada pela torcida do Palmeiras neste sábado começou mal, mas não poderia ter terminado melhor. Antes do jogo, o “Corredor Verde” organizado para receber o ônibus da delegação foi dispersado por uma ação desastrosa da PM, com direito a avanço da cavalaria contra a multidão. Houve correria, crianças assustadas e, quando o time chegou ao estádio, restavam poucos à espera no portão 23.

Com a bola rolando não houve tensão. A Ponte foi dominada desde o início e o alviverde definiu logo a parada com dois gols no primeiro tempo. Fechou a conta com mais um no segundo. Cerca de 30 mil aflitos palestrinos se abraçavam a cada gol como em uma disputa de título.

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Encalhe

Os clubes brasileiros deixaram de arrecadar R$ 200 milhões em 2011 devido à  diminuição de público nos estádios, segundo estudo divulgado nesta segunda (18) pela consultoria Pluri. E a perda deve chegar a R$ 500 milhões até o fim desta temporada. Cerca de 7 milhões de ingressos encalharam nas bilheterias no ano passado. Em 2012, no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, a média de público já é menor que a do ano anterior, com menos de 12 mil espectadores por jogo, ante 14,9 mil.

É fácil entender. Os clubes não costumam tratar o torcedor com o devido respeito. Comprar ingresso, mesmo sendo sócio, é difícil. Em torneios como a Libertadores, por exemplo, fiéis seguidores de seus times, são alijados, justamente na final, para que se acomode uma legião de convidados.

Até o acesso da imprensa é limitado a fim de abrir espaço a gente ligada a patrocinadores, empresários e cartolas. Os cambistas, claro, aproveitam e vendem ingressos a mais de mil reais nessas ocasiões. Santistas e corintianos, últimos brasileiros finalistas do torneio, que o digam.

E quem consegue entrar nos estádios, até em alguns recém-inaugurados, como o Independência, têm de torcer para não ter comprado assento em um ponto cego. Tem também os flanelinhas, os horários esdrúxulos impostos pela TV, e por aí vai. Pensando bem, até que ainda vai bastante gente.

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É normal. O torcedor procura culpados pelas derrotas de seu time. O santista, porém, não mais. Condena sumariamente PH Ganso. Se o meia fez ou não por merecer tal represália é uma discussão. Se, de fato, é culpado, outra bem diferente. Entre vários xingamentos, foi chamado de mercenário e alvo de uma chuva de moedas após o fracasso alvinegro contra o Bahia, nesta quarta, na Vila Belmiro (vídeo acima). Muricy Ramalho pediu aos jogadores que saíssem juntos de campo. Claramente antevendo a cólera contra seu camisa 10. Na entrevista coletiva voltou a defendê-lo. Disse que jogou bem, não se escondeu etc, etc. Pois é, Muricy, o problema é que a discussão não é mais essa. Não há mais clima para o craque ficar no Santos. Deve ir logo atrás do que acha que merece.

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Os impedidos

Corintianos enfurecidos com Flávio Rodrigues Guerra, juiz  do clássico deste domingo. Com razão. André estava muitíssimo impedido em seu segundo gol. E não foi o único impedimento seguido de gol ignorado por Guerra. Ele também não viu o de Paulinho, no primeiro tempo. Chegou a dar uma corridinha ao meio-campo, mas nesse o bandeira o salvou. Impedimentos escandalosos, fáceis de ver até para quem estava do lado oposto do campo, meu caso.

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Tons gremistas

Com potência na percussão, a incansável bandinha gremista se fez ouvir por todo o Morumbi neste domingo. Chegou a abafar os são-paulinos em certos momentos, sobretudo após a virada. Feio foi quando abafou também o hino nacional, antes do jogo. É hábito dos gaúchos cantar o hino do Rio Grande do Sul durante a execução do hino brasileiro. Não é o momento, a meu ver, de expressar o ímpeto separatista. Nas partidas no RS os dois hinos são tocados.

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Nova regra pode levar time da Série B à Sul-Americana

Mudança de critério divulgada nesta quarta (8) pela CBF poderá classificar times da Série B à próxima edição da Copa Sul-Americana. Essa maluquice é resultado da inclusão de participantes da Libertadores da América na reta final da Copa do Brasil.  Leia o ofício (talvez precise reler) para entender.

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Muricy, o que é que só você viu?

Até a noite deste domingo, as críticas a Muricy Ramalho estavam restritas aos bastidores da cartolagem santista. Ontem o coro dos descontentes ecoou pela Vila Belmiro. Uma reação por ter trocado o garoto Victor Andrade pelo argentino Miralles, no segundo tempo contra a Ponte Preta.

O Santos vencia por 1 a 0. Victor estreava como titular. Jogava bem. Acabara de dar belo passe para o gol de Bruno Peres. Gol, aliás, que o Santos não marcava havia quatro rodadas. Sete minutos após a substituição a Ponte empatou. Depois quase virou. E, enquanto a Torcida Jovem tentava abafar o coro contra Muricy, o Santos fez o segundo gol. Ironicamente, de Miralles.

Na coletiva, Muricy também foi irônico.  “Se eu estivesse na torcida e o treinador fizesse uma ‘burrada’ dessas, eu xingaria também. O problema é que o Victor fez um gesto pequeno pedindo para sair, mas ninguém viu.”

Verdade. Embora o Victor tenha admitido, ninguém viu o menino de 16 anos acusando cansaço. O que muitos viram das arquibancadas, e comentaram, era o cansaço (e a pança) do outro atacante que ficou em campo: Bill.

"Tatuagem Torcida Jovem"

Bandeira da Ponte

"Varal"

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De corpo e alma

Tatuagem radical em Corinthians x Portuguesa, no Pacaembu.

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Tema: Personalizado Esquire por Matthew Buchanan.

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