Contra o verde

O clássico era contra o Santos. Mas não parecia. A torcida corintiana foi ao Pacaembu neste sábado mais a fim de celebrar o rebaixamento do Palmeiras. Caixões verdes estilizados, bexigas pretas e faixas de “Chora Porco” aos montes deram ares de um alegre funeral à Praça Charles Miller.

Na arquibancada,  faixinhas de “Bi Rebaixado” por todos os cantos.

Já os santistas, nem aí pro Palmeiras. Na verdade, nem aí para o Corinthians também. Tirante a galera do batuque, que não para jamais, o clima também remetia a um velório. Querem logo que chegue 2013. A despeito do tri paulista e do título-relâmpago da Recopa, a eliminação da Libertadores contra o arquirrival maculou o ano do centenário. E ontem, em clima de amistoso, não era o momento certo para se vingar.

De fato, o ano está sendo corintiano. O gerúndio fica por conta do que vai acontecer no Mundial de Clubes, em dezembro. Ontem, junto aos apetrechos anti-Palmeiras, milhares de faixas e camisetas bilingues. “Êeeeee, o Timão vai pro Japão e Porco pra Série B.” E assim saíram cantando do Pacaembu. A propósito, a partida contra o Santos acabou 1 a 1.

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Gorillas da Macaca

Não há espaço livre no alambrado do Moisés Lucarelli. Não na área abaixo das torcidas organizadas. Assistir aos jogos colado na grade ainda é tradição no estádio da Ponte Preta. Centenas fazem dali a pressão que torna o clube tão forte em Campinas. O galáctico Inter que o diga.

Tem até uma torcida específica para o setor: a Gorillas do Alambrado. Pessoal das antigas mesclado a uns poucos garotos. Sem instrumentos musicais, faixas ou gritos de guerra, usam apenas camisetas brancas com desenho de um gorila enfurecido destruindo um alambrado. Embora discretos, chamam a atenção. Sobretudo pelo visual de um dos líderes, sujeito alto com vasta cabeleira estilo “variedades” (fácil achá-lo nas fotos acima e abaixo).

A Vila Belmiro já emanou esse clima. Antes da instalação dos camarotes térreos, o alambrado ficava coalhado de santistas. Tempos de caldeirão. A modernização aumentou o faturamento, sim, mas reduziu a pressão em proporção bem maior. Exigências do futebol moderno. Bom que o fã da Macaca, mais antigo clube brasileiro em atividade, mantenha tal tradição.

E esse cara, assistindo ao jogo do banheiro, apoiado na privada. Visão privilegiada, mas o odor não deve ser dos melhores.

Buzinaço depois da partida nas ruas de Campinas. Outro ritual. Não importa se vale título, vaga na Libertadores, fuga do rebaixamento ou se, como ontem,  nada. Vitória da Ponte o pessoal sai do estádio buzinando.

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“Tufão”

Virou diversão da torcida do Corinthians brincar com Douglas durante os jogos. Sempre tem coro de “Tufão, Tufão, Tufão”, nome do personagem interpretado por Murílio Benício na novela “Avenida Brasil”, um ex-jogador ligeiramente acima do peso. Neste sábado, contra o Bahia, os gritos vieram do tobogã do Pacaembu. Até os baianos caíram na gargalhada. Embora a novela tenha acabado ontem e o camisa 10 secado a pança dos seus tempos de reserva, parece que não vai se livrar da alcunha tão cedo.

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Mistérios do Canindé

Dida foi ídolo quando jogou no Corinthians. Hoje, na Portuguesa, continua idolatrado pelos corintianos. O volante Guilherme foi ídolo da Lusa. Hoje no Corinthians é odiado pela torcida lusa – e tampouco é amado pelos alvinegros.

Neste sábado, durante Portuguesa 1 x 1 Corinthians, enquanto corintianos ovacionavam o goleiro, os lusitanos xingavam Guilherme no Canindé. Sinal dos tempos. São raros atualmente, tirante os arqueiros, os jogadores que ficam tempo suficiente em um clube para se fixar na memória do torcedor.

Fato curioso. Os jogadores que precisaram sair de campo para receber atendimento médico foram carregados como antigamente, por maqueiros. Faz tempo os estádios têm carrinhos, estilo golfe, para transportar os lesionados. Pois não é que no final da partida o carrinho passa, funcionando, entre os torcedores (foto acima). “E aí, o que aconteceu? Por que não foi usado no jogo?” “Correria, correria, respondeu o motorista.” Mistérios do Canindé.

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Sardinha é a resposta

Sardinha, em jogo entre Portuguesa e Icasa pela Série B do Brasileiro de 2011

O Cacifo do Paulinho, blog português dedicado ao Sporting, levantou uma velha e polêmica questão: como se compara o fanatismo por seu clube?

Pelos anos de devoção? Por ser ou não sócio? Pelo número de vezes em que foi ao estádio? Pelas camisas compradas? Pelas lágrimas vertidas? Por ficar sem jantar após uma derrota? Por ser de torcida organizada? Por querer sair na porrada com os rivais? Por ter guardado um tufo do gramado? Por saber de cor a história do clube? Por só vestir as cores do time? Por ter um blog ou twitter de torcedor? Por não ter outro assunto?

A lista poderia continuar ad aeternum. Mas nesta quinta concluí. Justamente em solo lusitano. Ninguém é mais torcedor do que o Sardinha.

Vamos tentar responder as indagações do parágrafo acima. Não sei se ele é associado ou se conhece de cor a história da Lusa. Não coleciona camisas do time, isso é certeza, pois esta quase sempre à paisana. Nem português é. Descende de espanhois. Não fica perto das organizadas, tampouco corre atrás de autógrafos ou tufos de grama.

Já conquistou seu maior troféu, condecorado com uma medalha pelo clube por seu trabalho na construção das arquibancadas do Canindé. Ele trabalhou na obra do estádio. E é um dos que mais o frequentaram. No alto de seus 74 anos, há 59 vai semanalmente. Nem sabe o que é um blog. Twitter? Responde que tinha dois no som de uma antiga kombi da torcida.

Então, o que eleva o lustrador Leonardo Garcia ao topo da hierarquia dos torcedores? Suas lágrimas vertidas, é claro! Enquanto a Lusa batia o Sport por 5 a 1, xingava o juiz, zanzava de um lado ao outro, testa franzida, agoniado. Gol após gol, não relaxava.  ”A bola entrou, seu cego”, gritava ao bandeirinha num lance em que a bola – claramente – não tinha entrado.

Enfim, para a pergunta vinda do Cacifo do Paulinho, o próprio resumiu melhor do que essas linhas. “Se fossem 20 mil Sardinhas, a Portuguesa seria o maior time do mundo.”

Abaixo, as fotos das torcidas na partida de ontem.

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São Paulo Henrique

Foi difícil se deslocar pelas arquibancadas lotadas do Morumbi neste domingo. Quarenta mil são-paulinos prestigiaram a apresentação do meia Paulo Henrique Ganso, com direito a balões, chuva de papel picado, telão e volta olímpica. Que bom para torcedor que teve a festa porque, embora o time tenha vencido o  Cruzeiro por 1 a 0, o jogo foi deveras sonolento.

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Queimados

Virou rotina. Quando o Santos está perdendo, a torcida pega o meia Felipe Anderson pra Cristo. De fato ele vem oscilando demais. Mas, juntar dez, vinte e vaiar o jogador toda vez que pega na bola, é outra só piora a situação. Neste sábado (22/09) à noite, no Pacaembu, na derrota por 3 a 1 ante a Lusa, torcedores do setor laranja quase saíram no tapa por conta da perseguição.

Também houve ataques, menos ruidosos, ao técnico Muricy Ramalho. A falta de padrão de jogo é notória. O time vive em função dos bicões na direção de Neymar. A estratégia (ou a falta dela), obviamente, não funciona com o garoto Victor Andrade no lugar do astro santista, que ontem cumpriu suspensão.

Por fim, no primeiro jogo depois da venda de Ganso ao São Paulo, a cúpula santista pode dizer que terminou tudo como planejado. As poucas reações contrárias (como na foto no alto da página) foram direcionadas exclusivamente ao meia.

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Aves raras e o Urubu

Antes de começar Santos x Flamengo, nesta quarta (12/09), o assunto na Vila Belmiro era o iminente final da novela Paulo Henrique Ganso, já com o bico em algum Tricolor. Tom de “agora já era”. Neymar praticamente se despediu do parceiro nas entrevistas pós jogo. Na arquibancada, porém, a essa altura, o rumo da prosa tinha mudado. Do menino “velho” Ganso para o menino novo Victor Andrade, autor do primeiro gol alvinegro. “A raio caiu de novo no mesmo lugar”, gritava, atrás do gol carioca, um dos mais eufóricos. Exageros à parte, o amadurecimento de outra joia santista ajuda a direção a fechar o negócio com o rival sem perder pontos com a torcida.

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Patitomania e victor-andradetes

Bastou meio tempo para “Patito” Rodriguez cair nas graças da torcida santista. O Santos virou a etapa inicial perdendo por 2 a 0 para o Atlético-GO, neste sábado, no Pacaembu. No intervalo, Muricy Ramalho promoveu a estreia do argentino. Já entrou partindo pra cima da defesa goiana e, aproveitando um rebote, fez o primeiro gol do alvinegro. Miralles empatou, de pênalti. No final do jogo, em um belo chute de fora da área, quase “Patito” virou a partida. Saiu de campo ovacionado.

E bastaram três jogos como titular para o garoto Victor Andrade ganhar espaço no coração das “neymarzetes”. Com a ausência do ídolo-mor, na seleção brasileira, as garotas começaram a suspirar pelo novo menino da Vila. ”Ele é o mais lindo, estou apaixonada”, disse uma delas colada no alambrado.

Por fim, outro assunto na arquibancada era como a torcida é mais forte no Pacaembu. Foram 11 mil santistas hoje contra 3 mil na Vila, quarta-feira passada, contra o Cruzeiro. Ganha força, assim, a tese do presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, que defende mais apresentações na capital.

 

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Santinhos

Comércio e propaganda política. Combinação irregular, de acordo com legislação eleitoral

 

Cenário diferente no entorno da Vila Belmiro nesta quarta. Centenas de santinhos pelo chão, muros pintados com siglas de partidos, banners e cartazes de candidatos tomaram espaço onde costuma predominar o preto e branco (e agora azul) do Santos. Clima de eleição.

Quase todos os imóveis exibiam algum tipo de propaganda política. Muitas afixadas em pontos comerciais, o que fere a legislação eleitoral. Até em frente à sede da Torcida Jovem, principal organizada santista, em vez do hino do clube ecoava um jingle de campanha.

Dentro do estádio, fui abordado por um senhor com o adesivo do candidato a vereador Orlando Rollo colado no peito. O mesmo do jingle na Jovem. É que, além de postulante ao Legislativo, Rollo é conselheiro ligado à direção do Santos. Durante o intervalo do jogo, o sujeito perguntou se eu era da Justiça Eleitoral. Foi o que pensou, disse, por ter  me visto fotografando.

Estranha dedução, considerando que estávamos num estádio de futebol. Logo ele entrou no assunto da propaganda política ilegal. Ressaltou que do seu candidato não se via nada em torno da Vila. Verdade. Mas não carecia explicar. Afinal, não sou quem ele imaginava.

Enquanto isso, o Santos fazia sua primeira boa apresentação no Brasileiro sem Neymar no time. Bateu o Cruzeiro por 4 a 2. Também foi a primeira vez que a revelação Victor Andrade balançou a rede como profissional. Diante, porém, de apenas 3215 pagantes. Se a torcida tivesse focado mais na disputa futebolística e menos na eleitoral, o clima, quem sabe, poderia ter sido outro.

Pousada e propaganda, também irregular

Em bens particulares, com permissão do dono, é legal

Comércio e propaganda: irregular

Estádio vazio: cena comum na Vila

Exemplo: torcedor saiu do Mato Grosso do Sul para assistir ao jogo

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Tema: Personalizado Esquire por Matthew Buchanan.

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