
O torcedor é o centro da obra de Paine Proffitt. Filho de jornalista, um correspondente de guerra da revista Newsweek, o artista passou a infância por países como Vietnã, Líbano, Quênia. O futebol ainda não lhe chamava a atenção. Na adolescência, regressou à terra natal – os EUA. Adulto, motivado por um relacionamento, mudou-se para a Inglaterra. Lá sim aflorou a paixão pelo esporte bretão. Especialmente pelas torcidas.
“Os torcedores são o sangue de um clube. Jogadores, gerentes, proprietários, e até os jogos vêm e vão. Mas os fãs estão sempre lá. Em muitos casos seus pais lá estavam antes deles e seus filhos lá estarão atrás deles”, define.

De influências surrealistas e cubistas, Proffitt cria usando camadas de acrílico sobre suas telas. Cor e textura são construídas de forma constante ao longo de vários dias antes de os dados, elementos de colagem e letras, serem adicionados. Para apreciar mais desse belíssimo portfólio, clique aqui.
E confira abaixo trechos da entrevista que Proffitt concedeu ao Futebol de Campo no último dia 27 de março.
“Nasci nos EUA, mas cresci pelo mundo. Meu pai trabalhava para a revista Newsweek como correspondente de guerra, então nos mudamos diversas vezes quando eu era criança. Morei no Vietnã, Líbano, Quênia. Quando ele deixou a revista fomos para a Filadélfia, onde passei a adolescência. Estou com 40 anos, há 12 vivo na Inglaterra, em Stoke-on-Trent.”
“Estudei na Rhode Island School of Design (RISD), em Providence, nos EUA. Passei também um ano na Universidade de Brighton, minha introdução à Grã-Bretanha. E ao futebol. Depois de formado trabalhei como ilustrador freelancer nos EUA por alguns anos. Em seguida, por conta de um relacionamento, voltei à Inglaterra. Continuei como ilustrador, porém logo fiquei frustrado. Não gostava de atuar em cima da obra de outros. Queria ter a liberdade de pintar temas que apreciava, sobretudo futebol. Tenho trabalhado como artista independente desde então.”

“Apaixonei-me pelo futebol. Queria focar nele minha obra. No princípio gostava de pintar o jogo. Mas quando comecei a sentir o espírito das torcidas passei a abordar esse lado. Os torcedores de futebol são diferentes de todos os outros. Mais apaixonados, mais vocais. São o sangue que dá vida aos clubes. Jogadores, gerentes, proprietários e até os jogos vêm e vão. Os fãs, por outro lado, estão sempre lá. Em muitos casos seus pais lá estavam antes deles e seus filhos lá estarão atrás deles. Eles mantêm suas paixões. E é isso que dá emoção aos jogos. Queria retratar esse vínculo e prestar uma homenagem a essas pessoas em minhas pinturas.”

“Sou torcedor do Port Vale FC, clube de Stoke, da quarta divisão. Comprei o carnê da temporada e tento assistir a todas as partidas. Costumava até trabalhar como mordomo para eles, mas podia fazer algo melhor. Produzo a arte dos programas com as informações da temporada. Faço também a arte dos programas do Aberdeen FC (Escócia) e do West Bromwich Albion (Premier League). Apego-me às equipes para quem trabalho. Fui recentemente à Escócia assistir a uma partida do Aberdeen, no Estádio Pittodrie. E estive em quase todos do West Bromwich na temporada passada, no Estádio Hawthorns. Quando estou criando os programas vou com maior frequência para conhecer melhor a equipe e o perfil dos torcedores.”

“Nunca fiz nada sobre o futebol brasileiro, cuja beleza e paixão são mundialmente famosos. Espero pintar uma peça ou duas em breve.”
“Meu estilo vem de influências variadas. Programas e cartazes vintage de diferentes artistas e movimentos. Algumas peças são bastante influenciadas pela escola russa. Os velhos cartazes de propaganda comunista e obras de arte são fortes na sua concepção e mensagem. Busquei nessas técnicas mostrar o futebol como uma equipe, forte e unificada.”

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