Enquete: Libertadores

Mercado de Peixe

Em mensagem de fim de ano enviada hoje via net aos sócios do Santos, o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro destacou o progesso do clube nos últimos dois anos. Especialmente a porta que se abriu com a participação no Mundial de Clubes, no Japão, apesar da derrota na final. “Abrimos um novo mercado na Ásia e conquistamos a simpatia de uma nação disposta a se apaixonar pelo Santos e consumir nossos produtos”, escreveu.

É verdade. O que se viu de japoneses com a camisa do Santos e os gorros de Neymar foi uma enormidade. Sobre isso, chamou a atenção como, também nesse quesito, o Barcelona está anos-luz à frente. No dia da decisão o clube montou uma loja oficial dentro da Yokohama Station, ponto de desembarque para quem foi ao jogo de trem. Claro que vendeu como água. Produtos do Santos só nos camelôs ou nas barraquinhas da Fifa ao lado do estádio.

Loja montada pelo Barcelona na Yokohama Station

Domingo no parque

Embora não saibam jogar, os japoneses também curtem um futebolzinho aos fins de semana. Nas imediações do Parque Yoyogi, onde estão os dois estádios completados para os Jogos Olímpicos de Tóquio (1964), rola sempre uma pelada aos domingos. Por conta do frio, o campo vira um pasto. No mais, tudo nos trinques. Jogos de camisa, juiz, técnicos.

Do outro lado da praça, no mesmo dia, são montados campinhos de futebol society. Na foto abaixo pode-se ver ao fundo o Estádio Olímpico principal, com suas curvas em forma de concha.

E entre as canchas tem a atração principal dos domingos: o descolado mercado de pulgas. À tarde, o programa são as apresentações musicais de variadas tribos locais em uma concha acústica conjugada à feirinha.

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“Neymaru”

Kazu eterno

Kazu é ídolo no Japão. Foi o primeiro jogador do país a defender um time grande no Brasil. Ponta-esquerda, estreou no Santos em 86, após iniciação na base do Juventus. Depois passou por Palmeiras, Matsubara, XV de Jaú, Coritiba e, em 90, regressou ao Santos, quando viveu sua melhor fase.

Chamou a atenção dos europeus e, entre 94 e 95, atuou no Genoa. No fim da carreira, aos 38, voltou à terra natal. Defendeu o Yokohama FC, time da cidade-sede da final do Mundial de Clubes. Por lá, no dia 18/12, foi lembrado em diversas barraquinhas de souvenirs (abaixo).

No muro

Divididos. Assim ficaram muitos japoneses na final do Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos. Os visuais da vendedora e do torcedor das fotos abaixo – meio Messi, meio Neymar – dominou os arredores do Yokohama Stadium.

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Fast news: a final

Eis o jornalzinho da Toyota distribuído nas saídas do Yokohama Stadium após Barça x Santos. A decisão na frente e a disputa de terceiro lugar no verso.

Esquenta

Em pelo menos um ponto o Santos conseguiu superar o Barcelona. Na bagunça nos bares de Yokohama. Bandeiras nas fachadas (foto abaixo), batucada e cantoria. Tudo regado a hectolitros de saquê. Goleada alvinegra.

Bandeiras do Santos em bar perto do Yokohama Stadium

Jeitinho santista

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Para bancar a viagem ao Japão, dois santistas levaram uma mala lotada de  camisetas, bonés, bandeiras e faixas do clube. Muamba. Horas antes do jogo contra o Barcelona estenderam um lençol na saída da estação de Yokohama, jogaram a mercadoria e fizeram dinheiro. Muito. Uns 12 mil reais. Venderam dezenas de camisetas por até 4000 ienes, algo em torno de R$ 100 cada.

“Estou com um bolo de dinheiro. Depois vou ver quanto consegui”, disse um deles depois de vender a última camiseta, já a caminho do estádio. “O cara que controla as vendas na região ficou puto. Chegou na gente querendo intimidar. Mas não deu nada”, contou o brasileiro.

A dupla teve de começar a se desdobrar logo que chegou ao aeroporto de Narita. Sem falar uma palavra de inglês e apenas com poucos reais nas carteiras, tiveram de pedir ajuda a outro santista para chegar ao hotel. Antes ainda, na conexão em Dubai, queriam fazer compras com moeda brasileira. “Não temos cartão de crédito e aqui eles não trocam real.”

Como parece ter acontecido com o Santos, a preparação para o torneio falhou. O diferente foi como cada um superou as adversidades.

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Todos os santos

Na fé de ver o Santos tri mundial, um torcedor apelou ao xintoísmo. No Meiji Jingu, mais importante santuário de Tóquio, no espaço reservado às preces, pendurou seu pedido: vitória do Santos contra o Barcelona.

O souvenir da oferenda (foto abaixo) custa 500 ienes, uns R$ 10. Meiji é carregado de mística. No Ano Novo é o ponto mais visitado no país. Cerca de 3 milhões rezam e compram amuletos. O Peixe vai precisar dessa energia.

No canto superior direito os pedidos que incluem o tri santista

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Tema: Personalizado Esquire por Matthew Buchanan.

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