Embora não saibam jogar, os japoneses também curtem um futebolzinho aos fins de semana. Nas imediações do Parque Yoyogi, onde estão os dois estádios completados para os Jogos Olímpicos de Tóquio (1964), rola sempre uma pelada aos domingos. Por conta do frio, o campo vira um pasto. No mais, tudo nos trinques. Jogos de camisa, juiz, técnicos.
Do outro lado da praça, no mesmo dia, são montados campinhos de futebol society. Na foto abaixo pode-se ver ao fundo o Estádio Olímpico principal, com suas curvas em forma de concha.
E entre as canchas tem a atração principal dos domingos: o descolado mercado de pulgas. À tarde, o programa são as apresentações musicais de variadas tribos locais em uma concha acústica conjugada à feirinha.
Kazu é ídolo no Japão. Foi o primeiro jogador do país a defender um time grande no Brasil. Ponta-esquerda, estreou no Santos em 86, após iniciação na base do Juventus. Depois passou por Palmeiras, Matsubara, XV de Jaú, Coritiba e, em 90, regressou ao Santos, quando viveu sua melhor fase.
Chamou a atenção dos europeus e, entre 94 e 95, atuou no Genoa. No fim da carreira, aos 38, voltou à terra natal. Defendeu o Yokohama FC, time da cidade-sede da final do Mundial de Clubes. Por lá, no dia 18/12, foi lembrado em diversas barraquinhas de souvenirs (abaixo).
Divididos. Assim ficaram muitos japoneses na final do Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos. Os visuais da vendedora e do torcedor das fotos abaixo – meio Messi, meio Neymar – dominou os arredores do Yokohama Stadium.
Para bancar a viagem ao Japão, dois santistas levaram uma mala lotada de camisetas, bonés, bandeiras e faixas do clube. Muamba. Horas antes do jogo contra o Barcelona estenderam um lençol na saída da estação de Yokohama, jogaram a mercadoria e fizeram dinheiro. Muito. Uns 12 mil reais. Venderam dezenas de camisetas por até 4000 ienes, algo em torno de R$ 100 cada.
“Estou com um bolo de dinheiro. Depois vou ver quanto consegui”, disse um deles depois de vender a última camiseta, já a caminho do estádio. “O cara que controla as vendas na região ficou puto. Chegou na gente querendo intimidar. Mas não deu nada”, contou o brasileiro.
A dupla teve de começar a se desdobrar logo que chegou ao aeroporto de Narita. Sem falar uma palavra de inglês e apenas com poucos reais nas carteiras, tiveram de pedir ajuda a outro santista para chegar ao hotel. Antes ainda, na conexão em Dubai, queriam fazer compras com moeda brasileira. “Não temos cartão de crédito e aqui eles não trocam real.”
Como parece ter acontecido com o Santos, a preparação para o torneio falhou. O diferente foi como cada um superou as adversidades.